terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Reter é não reter

por José Augusto Figueiredo*

Um desejo comum a todas as empresas e que ganha cada vez mais atenção nos últimos tempos é a chamada retenção de talentos. O tema tem sido o sonho de consumo e, ao mesmo tempo, o pesadelo de muitos gestores desde o início do apagão de talentos. E, agora, com as perspectivas positivas de crescimento para o Brasil, intensifica-se a disputa pelos melhores profissionais do mercado. Pensar em retenção de pessoas é mais complexo do que se julga e talvez represente um dos maiores desafios para questão da sustentabilidade humana nas organizações. 

Antes de desenhar manuais de melhores práticas ou definir estratégias sobre este tema, é importante avaliar de uma forma mais humana e observar que a retenção de profissionais pode ser um grande paradoxo. Isso porque é uma utopia quando tratamos de pessoas que sentem, se emocionam e aspiram de forma consciente e, muitas vezes, inconscientemente. Como assim? Pode soar estranha a afirmação, mas observamos que um dos principais valores dos talentos no cotidiano profissional é a liberdade. E como reter alguém que preza tanto a liberdade? De uma forma simplificada, quem busca tanto permanecer nos quadros da empresa tende a ser avesso à própria retenção. 

Isso prova como o assunto exige reflexão. O quadro fica mais óbvio quando lembramos que ser percebido como talento é algo diretamente ligado a um contexto. Alterado minimamente o contexto, alguém que outrora era preterido pode vir a ser percebido como um novo membro do seleto hall de talentos, o que pode alterar a decisão de permanecer ou querer ser parte de uma determinada organização. Afinal, para ter satisfação no trabalho, as pessoas precisam necessariamente ser reconhecidas pelo desempenho profissional. Muitas vezes elas precisam ser reconhecidas pelo não-desempenho e, mesmo que isso doa, pelo conhecimento da possibilidade de aprendizado e de melhora. Sem reconhecimento, é fácil chegar à conclusão de que as tarefas do dia a dia não têm significado e não condizem com os objetivos pessoais. 

Sabendo destas premissas, as empresas devem refletir e estabelecer como prioridade alguns pontos na relação com seus talentos. Em primeiro lugar, é importante comunicar com clareza os valores adotados, para que o profissional tenha a possibilidade de compreendê-los e de avaliar se a visão da organização, da área ou do seu líder está alinhada ao seu projeto ou aspiração pessoal. Tem que fazer sentido! Por isso, é possível afirmar que as companhias que transmitem claramente sua identidade estratégica e garantem ao seu time meios para refletir sobre ela são as que maximizam a parceria com seus talentos. Elas não os retêm, elas os atraem. É importante ainda que exista atitude de comunicação aberta para criar um ambiente favorável à expressão, pois talentos adoram e precisam se expressar. 

Dar ao time esta abertura, assim como perspectivas sobre o futuro dos negócios e projetos, viabiliza a mobilização das pessoas dentro e fora da organização, de forma que os sonhos de indivíduos e organização se misturem. É isso que se busca: a parceria de empresas com seus talentos não pode mais ser pensada somente dentro das fronteiras da organização.

A empresa, antes de sinalizar quais são as oportunidades e desafios que o profissional tem à disposição, deve procurar perguntar aos seus talentos quais os sonhos que já os mobilizam e que eles querem realizar. Um ponto crucial nesta parceria entre profissionais e companhias é a famigerada sucessão. É fundamental que o tema seja tratado com transparência. Deve ser mostrado ao profissional quais competências deve desenvolver a fim de estar pronto para assumir novos papéis no futuro. 

Algumas ações práticas são eficazes na gestão da parceria entre talentos e empresas. Promover trabalho por projetos, por exemplo, é uma forma de dar energia e desafios ao time, principalmente para as gerações mais jovens, com altas expectativas. Dessa forma é possível ter claro o começo, meio e fim de um trabalho e consequente resultado. Esta forma ainda faz com que a equipe possa transitar em diversas áreas da empresa, o que proporciona entusiasmo e também expertise em diferentes frentes. 

Algumas organizações já sabem o tamanho do problema, mas ainda não têm ações consistentes e sistêmicas para a parceria com talentos. Muito da incapacidade para solucionar este problema pode estar ligada à própria falta de preparação dos atuais executivos e líderes que, em sua maioria, cresceram dentro de um modelo mental pré-estabelecido, no qual a parceria com talentos não era necessária, uma vez que acreditavam que o matrimônio com a empresa era para vida toda. O grande desafio é preparar os atuais líderes para a importância da flexibilidade que a parceria com talentos exige. 


* José Augusto Figueiredo é COO da DBM América Latina, consultoria especializada em gestão do capital humano e presidente do International Coaching Federation – ICF Brasil

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Comunicar é preciso


Preliminares ou direto ao assunto? A importância do papo-furado
Tem gente que simplesmente o-d-e-i-a o papo-furado, a conversa sem destino, o diálogo sem assunto, a interação sem conteúdo.

Normalmente o que escuto dessas pessoas é: “Não tenho paciência pra esse lenga-lenga”, ou então “É sempre a mesma ladainha – futebol, novela, politica, se vai chover – isso não leva a lugar nenhum” ou a clássica e nem por isso menos dramática “Vou direto ao assunto, não tenho tempo a perder”.
Pois bem, pequenas criaturas comunicativas, saibam que o papo-furado, a ladainha, o lenga-lenga desempenham um papel fundamental no sucesso de sua comunicação.

Eles são o “aquecimento” do que está por vir.

A troca inicial de pensamentos, sensações e opiniões em assuntos cotidianos ou sem profundidade tem a função de regular a energia da conversa, oferecer um tempo para os participantes sentirem-se a vontade uns com os outros e determinar várias dimensões do “momentum de comunicação”, como confiança ou desconfiança, conforto ou desconforto, intimidade ou formalidade. Pura sintonia, comunhão.

Eu tenho uma amiga (que está a procura do par ideal) que sempre me diz:
- Sabe Mussa, eu não tenho tempo a perder. Quando conheço um cara vou logo dizendo no primeiro encontro: “olha aqui, eu sou divorciada, tenho dois filhos, uma TPM que dura 2 semanas e sou alérgica a leite” Porque ai se o cara quiser a gente segue em frente, senão ninguém perde tempo e eu posso me focar em alguém que dê certo.

Acho que não preciso explicar essa né? Parece que o “direto ao assunto” dela está agindo contra seu objetivo final. (aliás se tiver algum solteiro interessado por favor me avisem, ela tá desesperada sabe?)

O que fazer para ficar a vontade durante um papo-furado?
1. Entenda que o papo-furado é apenas um estágio para algo signifitcativo, se você o evitar poderá parecer rude ou desinteressado na outra pessoa ou grupo.

2. Aceite que muitas vezes o papo poderá ser interessante, em outras não. Tudo bem, não é problema algum falar de coisas superficiais ou fazer comentários não tão espetaculares quanto você gostaria. Fique a vontade e deixe o outro a vontade caso isso ocorra. Demonstre interesse. Mantenha o fluxo da conversa.

3. Pense em algo que você possa ter em comum com a(s) pessoa(s) com quem está conversando e simplesmente lance a isca. Se não colar tente outra vez.(leia o item 2 novamente) Sim. Vale falar do tempo.

4. A duração do papo furado normalmente é curta. Em um encontro de negócios deve durar de cinco a dez minutos antes de você finalmente “ir direto ao assunto”. Em interações sociais você pode usar a mesma medida antes de começar assuntos mais profundos como “para onde vai nosso país?” ou “você viu a história dos padres pedófilos?”

5. E sempre que você sentir que o papo-furado está ficando mais furado do que papo, use uma transição para o assunto principal como “E como andam as coisas na empresa?” ou “Que bom que pudemos nos encontrar para tratar desse assunto X”

Megahiperultradica nº 543: Não se preocupe em parecer inteligente, esperto ou sagaz. Apenas entre na dança da conversa, siga o ritmo com leveza e faça os movimentos que te levarão ao objetivo final.

Aliás algum de vocês saberia me dizer uma outra interação humana onde as preliminares são tão (ou mais) importantes para se atingir o objetivo final quanto o “assunto” principal?

Não consigo pensar em nada agora.

Fonte:
http://vocesa.abril.com.br/blog/marcio-mussarela/tag/administracao-do-tempo/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Como evitar conflitos profissionais

Conviver com pessoas é uma tarefa que sempre exigiu muita diplomacia e tolerância. Em todo relacionamento, tanto pessoal como profissional, existem conflitos por coisas sérias ou por situações banais. Afinal, cada um possui opiniões e visões diferentes acerca dos mais variados assuntos. Fato é que, quando se trata de ambiente profissional, todo o cuidado ainda é pouco. Prudência, bom senso e coerência são atitudes sensatas que podem evitar muitos desentendimentos entre superiores e colegas. 

Em um ambiente profissional, cada um é observado e avaliado o tempo inteiro. Assim, qualquer atitude tomada, precipitadamente ou não e que fuja dos padrões empresariais, pode se tornar uma ameaça para o futuro da carreira. É bem verdade que alguns comportamentos e comentários deixam qualquer um irritado. Saber como agir, responder e o que dizer são imprescindíveis para uma boa convivência. De acordo com Ernesto Berg, sociólogo e administrador, a habilidade de conviver e interagir com pessoas e equipes é uma das competências mais determinantes para o sucesso nos tempos atuais. Saber lidar com conflitos é fundamental para o sucesso na empresa e na vida pessoal.

É verdade que toda ação pressupõe uma reação, porém, o profissional que deseja resolver seus conflitos no trabalho precisa adotar uma postura imediata a fim de que possa compreender as causas do problema e, a partir daí, chegar a um ponto de acordo e consequente resolução. Assim, algumas ações são importantes para evitar brigas e desgastes em um relacionamento profissional. Segundo Berg, o primeiro passo é procurar soluções e não culpados. “Focalize sua atenção nos ganhos da solução e esqueça a sessão de acusações mútuas. Tenha controle e mantenha-se calmo em busca de um acordo entre as pessoas envolvidas a fim de minimizar ao máximo as perdas de ambas as partes”, orienta o sociólogo. 

Berg afirma que quando no grupo existem pessoas com habilidade de administrar conflitos, há uma maior motivação, aumento de produtividade, cooperação, confiança e um clima saudável no ambiente de trabalho. Vale ressaltar que os conflitos, quando bem administrados, são úteis, pois, acordam o profissional e sua equipe para repensar sobre os relacionamentos profissionais com a finalidade de que todos os envolvidos possam crescer juntos. As pessoas estão em constante processo de transformação. Por isso, rever conceitos, convicções e partir para uma mudança de comportamento fazem a diferença e beneficiam a todos. 

Dicas do administrador e sociólogo Ernesto Berg para administrar conflitos:

1- Analise a situação, descubra qual é exatamente o motivo do conflito e procure saber quais são os interesses de cada um.
2- Ouça antes de falar.
3- Durante o diálogo mantenha um clima de respeito.
4- Seja construtivo ao fazer uma crítica. Evite a armadilha da personalidade, usando frases diretas e acusativas.
5- Concentre-se no problema ou comportamento e não na personalidade das pessoas.
6- Mantenha a calma. Não reaja mal às más notícias e, sobretudo, não se irrite se alguém discordar de seu ponto de vista. 
7- Quando estiver errado, reconheça o erro.

Relacionamentos Produtivos na Empresa Familiar

As empresas familiares trazem em sua natureza os benefícios e desafios de integrar em um único sistema família, negócio (empresa) e patrimônio.

Assim como em qualquer empreendimento, saber gerenciar relacionamentos e integrar interesses nas empresas familiares faz com que suas forças fiquem potencializadas. Para isso, é necessário trazer ao negócio valores que são próprios da família e integrá-los com aspectos fundamentais de um sistema de gestão bem-sucedido.

Que fatores podem facilitar a construção de relacionamentos produtivos na empresa famliar?

- Identificação de valores da família que devem ser preservados na empresa familiar: quando valores familiares são integrados ao negócio de forma positiva, a empresa ganha um sentido maior do que apenas a participação naquele mercado. Esta pode ser uma excelente forma de potencializar forças e a cultura da empresa, o que servirá como um guia para momentos desafiadores e/ou quando decisões difíceis precisam ser tomadas pelos familiares.

- Fortalecimento da transparência já existente nos relacionamentos entre familiares: o fato dos membros da família vivenciarem, em conjunto, situações que não são exclusivamente profissionais, torna tais relacionamentos naturalmente mais transparentes. Trazer esta transparência para o ambiente corporativo faz com que potencialidades dos familiares possam ser utilizadas, de forma produtiva, por estes na empresa e que a confiança possa ser aprofundada.

- Utilização, na prática, do sentimento de que “todos estão no mesmo barco”: as empresas familiares trazem consigo o sonho do fundador que foi materializado junto com uma carga emocional aos negócios – a identidade da família se mistura ao da empresa. Diferente de um emprego, ser integrante de uma família empresária traz a responsabilidade de fazer parte de algo que acompanhará seus membros durante, no mínimo, uma boa parte da vida – seja como sócio, seja como herdeiro. Mobilizar estes sentimentos em favor do negócio e, ao mesmo tempo, para o bem da família pode fazer grande diferença para ambos – família e empresa.

- Identificação de interesses comuns na família em relação ao negócio: em geral, os familiares querem que os negócios familiares sejam bem-sucedidos e que, através destes, a família também fique fortalecida. Através deste interesse comum, é possível construir diálogo em torno de como os familiares podem utilizar seus pontos fortes para que exista um real fortalecimento das dimensões comuns a todos.

- Utilização dos vínculos afetivos entre familiares para gerenciar tensões e desentendimentos: como em qualquer sociedade, a familiar também não está livre das pressões de mercado e de desentendimentos entre as pessoas. No entanto, a grande vantagem da empresa familiar é poder utilizar vínculos que foram construídos durante gerações para que estes desentendimentos sejam gerenciados de forma a gerar relações ganha-ganha.

- Potencialização dos vínculos de afeto e dos resultados da empresa através da sistematização e racionalização: existe um ditado que diz que “boas cercas fazem bons vizinhos”. Na empresa familiar, quando os papéis ficam claros e os limites entre as dimensões família, empresa e patrimônio são delimitados de forma construtiva, poderá haver a utilização do que há de melhor nos vínculos afetivos aliado ao que existe de melhor nos sistemas de gestão existentes no mercado. Quando a família empresária consegue estabelecer claramente estes limites, há muito benefício para cada uma dessas dimensões família, empresa e patrimônio.

Os relacionamentos na empresa familiar podem ser muito produtivos. Para isso, é necessário investimento na construção e manutenção de mecanismos que facilitem este movimento por parte de seus integrantes e na preparação das gerações futuras da família empresária.

Deise C. Engelmann
Sincrony – Consultoria em Gestão de Pessoas
Novembro / 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pé-de-meia ou bolsa para chegar a melhores universidades

Um ano em Harvard ou Cambridge custa 85 000 reais. É preciso planejar graduação no exterior a longo prazo ou recorrer a bolsa e crédito estudantil
Estudar nas melhores universidades do mundo pode ser um plano custoso. Na norte-americana Harvard, melhor instituição de nível superior do mundo de acordo com ranking da publicação Times Higher Education, ou na britânica Cambridge, a 6ª da lista, o ano letivo não sai por menos de 85 000 reais - incluídas despesas acadêmicas, taxas e custo de moradia.
O valor é alto se comparado às instituições particulares brasileiras e requer um investimento que não está ao alcance de todos. A menos que o candidato seja um felizardo herdeiro de milionários, só há três caminhos para realizar o sonho: planejar a graduação com muita antecedência, recorrer a empréstimos (no Brasil ou no exterior) ou contar com a ajuda de bolsas de estudo.
Quando os especialistas falam em "planejar com muito antecedência", estão mesmo falando sério. Myrian Lund, professora de finanças da Fundação Getúlio Vargas, recomenda que as famílias de classe média comecem a poupar com até uma década e meia de antecedência.
Assim, durante quinze anos, poderão economizar mensalmente 500 dólares (cerca de 840 reais) - uma opção é mandar esse montante para um fundo de renda fixa, como o CDB. Se o planejamento for feito em dez anos, deve-se separar 1 100 dólares (1 850 reais ), e se os interessados só dispuserem de cinco anos, terão de economizar 2.500 dólares ao mês (4 200 reais). "Para pagar todas as despesas, a família precisa dispor de muito dinheiro", resume Gustavo Ioschpe, economista, especialista em educação e colunista de VEJA.
Dada a dificuldade, Ioschpe aponta as alternativas. "Nos Estados Unidos, o crédito estudantil é facilitado e mesmo no Brasil é possível contrair um empréstimo bancário para bancar as despesas com o estudo no exterior", diz. "Deve-se levar em conta que o estudante terá o retorno desse investimento. Ele sai de um centro de excelência como Yale ou Oxford com a garantia de um bom salário."
Bolsas de estudo 
Outra boa notícia aos pretendentes é que, nas universidades americanas, por exemplo, as anualidades raramente são pagas integralmente. Em Harvard, 60% dos estudantes recebem algum tipo de ajuda financeira. É regra na universidade que nenhum aluno deixe de ingressar na instituição por falta de dinheiro. O mesmo vale para Yale e demais universidades de ponta do país.
Simon do Vale Nascimento, de 23 anos, recém-graduado na Universidade de Chicago, aproveitou a oportunidade de estudar sem nenhum custo na 12ª melhor instituição do mundo, segundo o ranking da Times Higher Education. Antes mesmo de ser admitido pela instituição, contou com apoio financeiro: ele foi um dos participantes do Opportunity Grants, do Education USA, órgão oficial do departamento de estado dos Estados Unidos que auxilia estudantes estrangeiros a encontrar uma vaga nas universidades locais.
Pelo programa, Nascimento teve todas as despesas com exames e inscrições – que podem variar entre 2 000 e 4 000 dólares – custeadas pelo governo do país.
Na Grã-Bretanha, a situação é um pouco diferente. Conseguir ajuda financeira para ingressar em Cambridge ou Oxford, por exemplo, pode ser complicado. "Em geral, a ajuda de custo oferecida pelas instituições são destinadas a alunos da pós-graduação, que possuem cursos mais curtos, de apenas um ano de duração", afirma Rodrigo Gaspar, gerente de marketing e comunicação do British Council.
Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/pe-de-meia-ou-bolsa-para-chegar-a-melhores-universidades

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nem açúcar, nem afeto. Queremos amor.

Hoje, a caminho da redação da VOCÊ S/A, ouvia Chico Buarque quando, de repente, um verso fez muito sentindo: “com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto. Pra você parar em casa”.  Em outra palavras: não adianta a empresa dar um salário alto (açúcar) e vários benefícios (afeto), muito menos dar o doce predileto (a liberdade que tanto nós Ys queremos), precisamos amar aquilo que fazemos e onde estamos. Nas entrelinhas da música, o eu feminino, que é quem canta, deixa claro que está sendo traída mas que mesmo assim abre seus braços pra o marido. Com nossos empregos também é assim. Não adianta a empresa querer nos agradar, iremos sair e encontrar um outro lugar, um novo amor. Ou amamos o emprego ou não.
Se não estivermos apaixonados, pode ter comida, casa, roupa lavada e até doces gostosos, nada disso irá nos prender em lugar algum. Precisamos sentir que, ao entrar pela porta do trabalho, o ar esteja leve. É preciso amor, senão “trairemos” o nosso trabalho.
Mas Ys, precisamos tomar cuidado para não voltar depois “feito criança, pra chorar” o perdão da empresa.  Eles só irão te abrir os braços se realmente sentirem que podem confiar em você. É como em um relacionamento. Se o laço de confiança acaba, não adianta voltar o namoro. Depois de poucos meses o relacionamento termina de novo.
Para quem não conhece a música Com Açúcar, Com Afeto deixo a versão de Fernanda Takai em seu disco dedicado à Nara Leão, para quem o Chico Buarque escreveu a música.
Fonte:
http://vocesa.abril.com.br/blog/estagiario-y/2010/10/19/nem-acucar-nem-afeto-queremos-amor/

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Saia da zona de conforto

por Eduardo Ferraz*
Se perguntassem hoje como é seu desempenho na empresa em que trabalha, qual seria a resposta? Você faz a diferença ou prefere apenas fazer o mínimo exigido? Seus resultados estão frequentemente acima da média, ou somente “dão para o gasto”? Na hora de decidir, tem coragem para ousar, ou prefere apostar no de sempre e fazer o possível? Você se contrataria para um cargo acima do atual?
O ganhador do prêmio Nobel de Economia de 2002, Daniel Kahnneman, desenvolveu sua tese, baseado em 30 anos de estudos, sobre a irracionalidade nas decisões de consumo e investimento. Nomeada como “Prospect Theory”, a pesquisa revelou que as falhas e as distorções em nossos processos decisórios são regras, e não exceções como se pensa, e mostrou também que a maioria dos indivíduos costuma ficar satisfeita com avaliações superficiais.
Uma das distorções mais evidentes nessas avaliações é o exagero ao se tratar do próprio talento. Na média, as pessoas crêem serem mais honestas, capazes, inteligentes e justas do que as outras. Dão a elas mesmas maior responsabilidade por seus sucessos e menor por seus fracassos. As ilusões as levam a verem o mundo não como é, mas como gostariam que fosse, reforçando a tendência de se acomodarem cada vez mais
A explicação analisada por Kahneman é que isso acontece porque temos dois sistemas de pensamento:
• Sistema 1: quando estamos nesse modo de ação, as decisões que fazemos são rápidas, sem esforço e potencializadas por emoções. São determinadas pelo hábito. Ao fazermos escolhas baseadas nesse sistema tomamos decisões precipitadas e muitas vezes ruins.
• Sistema 2: aqui os pensamentos são baseados no raciocínio. É consciente, deliberado, analítico, lógico, racional. É mais lento, exige esforço, mas pode ser controlado. Este sistema dá mais trabalho, mas é muito mais seguro, principalmente em situações de risco.

Ao ficarmos no sistema 1, preferimos nos enganar e optamos por manter um trabalho igual ao dos outros que, consequentemente, gera resultados parecidos. Acreditamos em nossas mentes, no quão competentes elas nos fazem crer que somos, e não assumimos nossas responsabilidades naquilo que está dando errado. Sair da zona de conforto, onde os resultados são previsíveis, requer planejamento, dedicação e esforços mais intensos do que a média das empresas e das pessoas faz. Resumindo: mais tempo, coragem, honestidade consigo mesmo e muito mais trabalho.
Lembre-se: na maioria dos casos, ser bem sucedido é fazer mais e melhor, de forma consistente, e por um longo período. Tudo tem seu preço, e o do sucesso é bastante alto.Como diz o ditado popular, “a vida costuma ser dura para quem é mole!”. Ou seja, saia da zona de conforto, use mais seu sistema 2, e tenha uma boa (que será também longa) viagem em direção ao sucesso!
*Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria In Company, com aplicações práticas de Neurociência